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O que carrega uma boneca de pano

Sempre quis trabalhar com algo que tocasse o coração das pessoas. Talvez, por isso, eu tenha trabalhado tantos anos com educação.

Agora, faço, principalmente, bonecas de pano. E talvez as pessoas não tenham ideia de como esse processo acontece comigo. Faço cada boneca como quem cria pequenas fadas de luz que irão iluminar o sorriso e a vida de uma criança pelo mundo.

Ao escolher os detalhes, ao costurar braços e pernas, ao bordar cada pontinho, coloco, em cada uma delas, todo amor que há em mim.

É lógico que há a questão financeira, mas esse trabalho não se resume a isso. Faço bonecas porque é um modo de distribuir amor e alegria, porque imagino a história que cada uma irá criar ao conhecer sua (ou seu) futura (o) dona (o).

Amor em forma de boneca

Uma boneca de pano não se destrói tão facilmente quanto uma de plástico. Ela pode até descosturar, mas é facilmente remendada. Uma boneca de pano dorme abraçada à sua criança, é carregada para cima e para baixo. É levada através dos anos para a história de quem a abraça. É passada de mãe para filha, com o mesmo sorriso de coração bordado que tocou o coração de quem a viu primeiro.

Ao terminar cada boneca e guardá-la em sua embalagem, despeço-me e lhe digo: “Vá ser feliz e faça feliz quem a receber”.

Por isso que trabalhar com artesanato é muito mais que uma terapia. Trabalhar com as mãos e com a criatividade é um ato de amor, é uma paixão que nos consome e nos faz querer que mais e mais pessoas sintam-se felizes com aquilo que criamos. Por isso que deve-se valorizar o trabalho artesanal não por piedade ou compaixão por quem o faz, mas por este ser um trabalho feito com toda a profundidade da alma – longe do automático, das máquinas, do vazio e da dureza desses nossos dias.

Na próxima vez que encontrar uma boneca de pano artesanal, abrace-a e ganhe todo o carinho que ela carrega. É o meu amor por você, viajando e tomando vida através dessas pequenas joias de tecido.

P.S.: Este post, de certa maneira, colabora com um movimento lindo chamado “Compro de quem faz”, que incentiva a valorização do trabalho do artesão. Leia mais aqui.

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